Nota prévia: sempre que falar em "pais", vou falar no masculino, não no sentido de "mãe+pai".
Hoje foi o dia do pai, acontecimento que festejo na primeira pessoa há 5 anos, e por interposta pessoa há 33. E tal como se diz do Natal, e até do dia da mulher, dia do pai é sempre que um pai quiser. Sempre que ouço, quer na comunicação social quer por conversas pessoais, de casos de pais que se demitiram dessas funções, pergunto-me como é possível...
Compreendo que nem todas as crianças nascem de um planeamento cuidado, muitos são obra do acaso. Em muitos casos os pais não estão preparados para o serem. E vou deixar de lado aqueles pais que, por diversas razões, não têm mesmo capacidade para o ser. Mas será que um pai, ao ver uma filha ou um filho, não sente imediatamente a magia inerente a essa condição?
A minha experiência enquanto filho foi diferente da da minha filha, mas muito rica. Quando era pequeno, o meu pai trabalhava imenso, via-o apenas de manhã, quando saía de casa, e à noite, quando não me deitava antes de ele chegar. Depois, trabalhei com ele, no restaurante, entre os 13 e os 17 anos, antes de vir estudar para o Porto.
Agora, estou a 170 quilómetros de distância, o que é muito, e me traz muitas saudades, mas transporto, da minha relação com ele para a minha relação com a minha filha, muitas das coisas boas que com ele aprendi. Quando não sei o que devo fazer com a minha filha, penso muitas vezes no que o meu pai faria, e isso ajuda-me imenso.
Posso dizer que, antes de ser pai, não compreendia a magnitude desta relação. Sempre quis ter filhos, e sempre quis que a primeira fosse uma filha, o que aconteceu, mas só depois de ter assistido ao seu nascimento (uma cesariana em que os médicos pareciam querer à viva força que eu desmaiasse, mas eu não lhes dei esse prazer), de a ter pegado nos meus braços, de a ver conquistar cada momento do seu crescimento, é que eu descobri a magia de sentir que a minha vida ia continuar ali, naquela menina linda, que transporta com ela um pouco de mim.
E embora eu tente ser pai todos os dias, fazendo o melhor que sei e posso, estes dias fazem-me sentir como um rei, que olha para a sua princesinha com um brilho especial, a dizer: "Parabéns, Jorge!" (poucas são as vezes que me trata por pai).
Sexta-feira foi o dia do pai na escolinha dela. Os pais todos foram convidados a passar um bocadinho da manhã na companhia dos filhos, na sala deles. Recebi uma linda prenda. Ela fez questão de me mostrar os desenhos na parede onde todos tinham desenhado o pai e diziam o que gostavam mais de fazer com o pai. No dela, o mais bonito de todos (espero que nenhum dos outros pais me esteja a ler), dizia que ela adorava jogar no computador com o pai. Daqui a nada ainda começa a escrever neste blog...