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abril 27, 2006

Testamento...

Tudo o que me resta é este corpo que carrego comigo,
Erigido sobre um esqueleto que já não aguenta o seu peso.
Sobre ele já pairaram desgraças, injustiças e outras que tais,
Também momentos belos, de felicidade julgada eterna,
Alguns momentos-chave, em que um ou outro destino teria sido possível.
Mas, agora, nada resta desses tempos idos,
Esta cabeça mal guarda as memórias que fizeram a sua história,
Nada, a não ser a constatação da tua presença, a meu lado,
Tu, que suportaste todo o peso da minha existência, toda a vida,
Olhas-me, e sabes que o que de mim resta é teu, só teu...

abril 26, 2006

Caminhando...

Corpo em movimento compassado,
Avistando a linha do horizonte,
Marcha silenciosamente.
Intensamente batendo o coração
No peito, por fora suado.
Habita nele uma vontade de chegar
Ao destino que a vida lhe traçou.
Não há força capaz de o deter
Da linha em ziguezague à sua frente,
Ondas quebradas, de momentos sombrios...

Solidão...

Sem amigos
Ou companheiros,
Languidamente contando os segundos,
Imensos pedaços de tempo.
Desespero lento e sombrio,
Ancião das causas perdidas,
Olha angustiado para o fim da linha...